Projeto
Concepção de um marketplace imobiliário que agregava anúncios de múltiplas plataformas e combinava dados proprietários do Bel Radar para apoiar compradores e investidores na tomada de decisão.
Meu Papel
Product Designer Pleno na Bel
Impacto
A pesquisa revelou uma mudança de comportamento que levou ao redesenho do produto, resultando em um marketplace baseado em vídeos curtos utilizado pelos fundadores na captação de uma nova rodada de investimento.
Uma nova rodada de investimento nasceu de uma pesquisa que demoliu a solução antes dela existir.
A Bel é uma startup de inteligência imobiliária que utiliza dados proprietários para apoiar investidores e compradores na tomada de decisão.
Fui convidada a explorar um marketplace imobiliário que agregasse anúncios de múltiplas plataformas com um diferencial competitivo:
Incluir dados proprietários do Bel Radar, como histórico de transações de imóveis.
Atuei como Product Designer do projeto, do problema ao protótipo final, passando por pesquisa, síntese, conceito e apresentação interna para os CEOs.
Antes de desenhar, precisava saber o que estava assumindo
A proposta inteira dependia de um dado que a maioria dos anúncios não divulga: o endereço completo do imóvel. Sem ele, não dá pra cruzar o anúncio com o histórico de transações do Bel Radar.
Mapeei o que estava sendo assumido antes de qualquer pesquisa:
A hipótese inicial era que compradores perceberiam valor no acesso ao histórico transacional dos imóveis e estariam dispostos a fornecer o endereço completo em troca de informações que reduzissem incertezas e aumentassem seu poder de negociação.
Mas hipótese que não é testada é achismo com protótipo.
Desenhei no Figma o protótipo. Agora precisava ir a campo.

F2: Sessões de teste de usabilidade moderadas via Google Meet para validar o protótipo.
Entrei nas sessões sem saber o que ia encontrar. Esse era o ponto.
Identifiquei usuários diretamente da base do Bel Radar via pesquisa de perfil ativa no Hotjar:
Personas e dores ainda não estavam mapeadas. Então antes de mostrar qualquer tela, fiz perguntas abertas sobre a jornada de busca:
˜Qual a dificuldade que você tem na busca e negociação de um imóvel? Como você resolve isso hoje?"
Queria descobrir o que as pessoas viviam e não confirmar o que eu já achava.
As dores confirmavam a proposta. O comportamento, não.
Compradores relataram frustração com visitas em que as fotos não correspondiam à realidade, riscos ocultados durante a negociação, anúncios duplicados, inconsistências de preço entre imóveis na mesma região, anúncios que já não estavam disponíveis para venda e dificuldade em avaliar se o valor anunciado era compatível com os preços praticados no mercado local. Quanto menor a transparência das informações, maior a sensação de insegurança durante a decisão de compra.
Essa etapa da pesquisa confirmou a hipótese inicial:
Entre os atores envolvidos, os compradores são os que mais tomam decisões no escuro.
Em contrapartida, mostraram-se dispostos a fornecer o endereço do imóvel desde que recebessem informações que agregassem valor ao processo e apoiassem a tomada de decisão.
Mas teve um padrão que ninguém me pediu para investigar e que mudou tudo. Todos os perfis, compradores e investidores, relataram a mesma coisa:
Portais imobiliários viraram repositórios de imóveis encalhados.
Corretores postam os novos em reels no Instagram e TikTok primeiro.
E o que o algoritmo não vende vai para o portal.
Os portais passam a funcionar mais como ambientes de consulta, enquanto as redes sociais atuam como canal de descoberta antecipada de oportunidades.
O produto que eu estava desenhando tinha ficado velho antes de existir.

F3: Falas dos usuários que contribuíram para a descoberta do principal insight.
O usuário não me pediu uma solução. Me mostrou onde eu estava olhando errado.
Fazia sentido construir mais um portal estático se o comportamento real de descoberta já havia migrado para vídeo e feed social?
A pergunta que eu deveria estar respondendo não era "como adicionar dados transacionais aos anúncios", era "como integrar informação confiável ao jeito que as pessoas realmente descobrem imóveis hoje"
Levei o insight para um dos CEOs. A conversa foi direta:
E se o marketplace incluísse anúncios em formato de reels, com busca ativa por filtros e os dados do Radar?
O usuário buscando e não esperando o conteúdo chegar.
O protótipo que nasceu da pesquisa que quase o matou
Redesenhei o conceito inteiro.
Um marketplace com navegação por vídeos curtos (estilo reels), filtros funcionais de busca e desbloqueio do histórico do Radar ao informar o endereço completo: valorização, tempo de mercado, comportamento de venda.
Imóveis novos, com contexto histórico, no formato que as pessoas já usavam para decidir.
O protótipo foi apresentado pelos fundadores para investidores anjos. Resultou em nova rodada de investimento para a Bel.
Telas finais do protótipo
Entrei com hipóteses sobre dados e endereços. Saí com um entendimento sobre comportamento de descoberta que ninguém dentro da empresa tinha mapeado.
Perguntas abertas antes de mostrar qualquer tela. Escuta antes de proposta. Esse é o tipo de pesquisa que muda o produto e não só a interface.
Confira o protótipo interativo no Figma
Proximo Case
Discovery gera salto de 60% para 83% na visualização da página de imóveis















